Peça 'Gisberta' estreia em BH sob protestos da militância trans

Monólogo de Luís Lobianco conta história de transexual brasileira que foi brutalmente assassinada em Portugal há 12 anos

Publicado em 04/01/2018
Peça sobre transexual Gisberta, com Luís Lobianco, é alvo de protestos
Monólogo é o 1º da carreira de Lobianco. Foto: Elisa Mendes/Divulgação

A história de Gisberta, transexual brasileira radicada em Portugal, onde foi assassinada em 2006, é o tema do espetáculo Gisberta, que estreia em BH nesta sexta-feira 5, sob protestos de parte da militância arco-íris.

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Luis Lobianco, que produziu e atua sozinho na peça, conheceu a história da mulher em 2016 por meio da canção A Balada de Gisberta, composta pelo português Pedro Abrunhosa e gravada por Maria Bethânia.

"Eu buscava algo para fazer um espetáculo solo e, até então, nunca tinha parado para procurar o porquê da existência daquela canção. Mas eu comecei a fazer isso justamente 10 anos após a morte de Gisberta. Eu fiquei muito emocionado, ouvi a música de novo e fui olhar se alguém estava produzindo algum projeto baseado na vida dela no Brasil. Eu vi que não e comecei, então, a trabalhar nisso", explicou o ator ao O Tempo.

Lobianco começou sua pesquisa em Portugal, onde, conta, Gisberta virou ícone na luta pelos direitos LGBT. "A relação com Gisberta é tão forte que eles conseguiram mudar algumas coisas, fizeram com que a sociedade se conscientizasse, e hoje Portugal é um dos países mais seguros para a população LGBT, sobretudo para os transexuais", diz.

Ativistas trans de Belo Horizonte, no entanto, condenam o fato de Lobianco ser cisgênero e interpretar uma transexual no palco. Um protesto, organizado pela página Aquenda o Xaxo, está organizado para ocorrer nesta sexta, às 18h, duas horas antes da estreia.

"Acreditam que apenas mencionar, tocar ou falar do tema garante visibilidade e um olhar diferente sobre a nossa população? Acham que assim pode diminuir a transfobia? Não existe meia representatividade. Ou se tem ou não se tem", diz trecho do manifesto.

"Hoje estamos aqui para dizer que sim, nós existimos. E queremos oportunidades e emprego", diz outro trecho. "E perguntamos: Como podemos existir sem a inclusão? Sem oportunidades? Qual será a próxima desculpa?"

Gisberta fará temporada no Centro Cultural Banco do Brasil de sexta a segunda até 5 de fevereiro. Mais informações você tem em nossa Agenda clicando aqui.

 

 

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