Disque 100: dentre LGBT, gays são os que mais sofrem discriminação
Em segundo lugar estão as lésbicas. Pessoas trans ficam em terceiro
Enquanto parte de LGBT acusam gays de terem privilégio até com objetivo de invalidar o sofrimento que esses sofrem, são os homossexuais masculinos o segmento que mais tem registro como vítimas de violações de direitos humanos no Disque 100, serviço do governo federal para denúncias de discriminações.
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Esse é o cenário desenhado pelos números do segundo semestre de 2023, os mais recentes. Nesse período, houve 1.094 denúncias feitas por gays, 722 por lésbicas, 610 por pessoas trans e 123 por indivíduos que não tiveram identidade declarada.
Cada denúncia pode incluir várias situações e tipos de desrespeito. E aí gays também ficam em primeiro lugar. Foram registradas 12.071 violações contra gays, 8.238 contra lésbicas, 6.773 por pessoas trans, 5.092 por bissexuais e 1.359 por pessoas sem identidade informada.
Essa triste liderança é algo isolado? A resposta é não! Gays são maioria no número de denúncias desde ao menos o segundo semestre de 2020. Para essa reportagem, não houve análise de dados anteriores a esse período.
Para o ativista gay Luiz Mott, os dados são reflexo de aspectos históricos e sociais.
"Interessante constatar o quanto gays denunciam as violações. Isso vem de consciência histórica nossa, pioneiros há mais de século na luta contra a homofobia. No mais, é importante ver o quanto gays são vítimas de violência tendo em vista o quanto sua presença em espaços públicos podem incomodar intolerantes. E fico surpreso por lésbicas terem mais denúncias que trans nessa lista. É algo que merece atenção", disse ao Guia Gay.
O Disque 100 (Disque Direitos Humanos) pode ser acionado por ligação gratuita para o número 100; WhatsApp (61) 99611-0100; Telegram (digitar "direitoshumanosbrasil" na busca do aplicativo); e site do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania para videochamada em Língua Brasileira de Sinais (Libras).
Em todas as plataformas as denúncias são gratuitas, anônimas e recebem um número de protocolo para que o denunciante acompanhe o andamento da denúncia diretamente com o Disque 100.

