O fisiculturista argentino Lucas Núñez Hüel desabafou nas redes sociais sobre abuso sexual que sofreu de seu treinador e comemorou a condenação do homem.
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Hüel contou que a agressão sexual ocorreu em setembro de 2024 após dois anos em que era orientado por Osvaldo Medina.
"Todos os que treinávamos com ele conhecíamos o chamado 'processo', que supostamente servia para alcançar uma definição muscular antes das competições", relatou o atleta.
"Esse 'processo' consistia em ir à casa dele, tomar umas pílulas com um suco, ficarmos dormindo em uma cadeira de seu escritório e, depois disso, acordávamos após um dia inteiro ou quase dois, desorientados e sem memórias durante um ou vários dias."
"Lamentavelmente, naturalizamos esta prática porque confiávamos ingenuamente nele. Além disso, insistia que o processo deveria ser feito na casa dele e não na nossa, com a desculpa de que, se algo acontecesse, ele cuidaria de nós. Acreditamos nele."
Ele continua dizendo que em 6 de setembro de 2024 era a quinta vez que ele fazia o tal "processo" e que o início da ação se deu da mesma maneira.
"Mas naquela mesma noite, por alguma razão, meu corpo reagiu e eu acordei... Eu estava na cama de Osvaldo, com as calças abaixadas, enquanto ele tocava minhas partes íntimas com uma mão e com a outra tocava as dele, já imaginam de que maneira."
Hüel afirmou que ao tentar se levantar, o homem colocou a mão em seu peito dizendo para ele ficar tranquilo.
Ele se ergueu gritando que queria ir embora e diz que sentiu um "apagão mental".
"O próximo que lembro é de acordar no meu apartamento, sem saber como voltei e ainda desorientado."
"Senti nojo do meu próprio corpo, vontade de vomitar, comecei a chorar e tremia pelo choque, tudo ao mesmo tempo", contou.
O atleta diz que o treinador o bloqueou de todas as redes sociais. Ele contou o episódio para os pais e procurou a polícia.
Num exame de urina, ficou constatada a presença de sedativo potente que nada tem a ver com ganho de massa muscular.
Hüel avisou aos outros fisiculturistas que tinham Medina como treinador, mas ele diz que vários não acreditaram no que lhe aconteceu. Até a academia continuou permitindo que o homem a frequentasse.
"Assim como ele fez comigo, pode ter feito com eles também, todos estes anos, incontáveis vezes e sem que percebessem. Osvaldo treinou durante anos gerações de atletas, incluindo menores de idade, aplicando neles este mesmo "processo' para competições."
No último dia 27, Medina foi a julgamento. Diante do juiz, admitiu ter cometido o crime e foi condenado. A sentença não foi informada.
"Durante todo este tempo não compartilhei para respeitar o processo judicial. Mas hoje, com a condenação feita, já não tenho vergonha de erguer a voz. Eu vou ter que conviver com esta lembrança ou, melhor dizendo, pesadelo por toda a minha vida, mas sinto um alívio porque se comprovou o que realmente aconteceu", afirmou o atleta.
No Instagram, Hüel relembra momentos de suas apresentações como fisiculturista e celebra o amor junto ao seu namorado.



