Médico bolsonarista é processado por discriminar cuidadora lésbica

Dorival Ricci Junior teria expulsado mulher que trabalhava no hospital dele e forjado documento

Publicado em 21/03/2021
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Caso ocorreu em janeiro em hospital do empresário, no Paraná

O médico e empresário Dorival Ricci Junior é alvo de processo no Paraná por racismo social - nome jurídico para homofobia - e falsidade ideológica.

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O caso ocorreu em 29 de janeiro de 2020 no Hospital Paraíso, em Paraíso do Norte (a 516 km de Curitiba), e a denúncia foi apresentada pelo Ministério Público do Paraná no último dia 11.

De acordo com o Metrópoles, Dorival, dono do centro hospitalar, expulsou uma cuidadora lésbica por homofobia.

Naquela data, a mulher de 36 anos acompanhava paciente com dengue hemorrágica.

Ao entrar na enfermaria, Dorival perguntou a uma enfermeira que o acompanhava se ela "teria estudado o caso dela" se referindo à cuidadora. A enfermeira respondeu que a mulher era "feminina".

"Isso não pode. O que isso aqui está virando?", bradou o médico na frente da vítima. 

"Vocês não se sentiriam constrangidas se ela as visse urinando?", questionou ele.

"Após a vítima tentar, sem sucesso, interpelá-lo diante das ofensas lesbofóbicas, o acusado disse, ainda: ‘Não quero saber, saía do meu hospital’, ‘Não sei que espécie que é, se é homem ou se é mulher’ e ‘aqui não pode", relatou a promotoria.

Após a cuidadora sair, Dorival teria inserido informação falsa no "termo de responsabilidade de acompanhante" ao dizer que o paciente recusou a cuidadora por ela ser do sexo feminino.

"Cientes da ilicitude e reprovabilidade de suas condutas, em concurso de agentes, um aderindo à conduta do outro, inseriram declaração falsa em documento particular, com o fim de alterar verdade sobre fato juridicamente relevante”, registrou o Ministério Público, sobre o médico e uma enfermeira também denunciada.

Segundo a promotoria, o médico colheu a assinatura do paciente, sem que lhe fosse explicado o teor do conteúdo do termo de responsabilidade, "aproveitando-se de sua situação de vulnerabilidade enquanto paciente em tratamento de dengue hemorrágica”.

O documento ainda foi utilizado por Dorival Ricci Junior como “prova” em um outro processo judicial que trata de ação de obrigação de fazer de reparação de danos morais movida pelo acusado em face da irmã da vítima.

Questionado pela reportagem do Metrópole, Dorival não retornou ao pedido de entrevista.

Nas redes sociais, ele se mostra apoiadora do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e diz ter coordenado 257 médicos paranaenses durante a pandemia enaltecendo o uso da hidroxocloroquina, que não tem comprovação contra a covid-19.


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