Polícia investiga estupro coletivo de aluno em ônibus escolar
Dez estudantes chegaram a ser presos e seis deles seguem detidos
Um aluno de 16 anos foi abusado dentro de um ônibus escolar, no último dia 15, o que resultou na prisão de 10 adolescentes no Peru.
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Os jovens são alunos do Liceo Naval Almirante Guise, em Lima, e voltavam de uma competição esportiva sub-17.
Todos foram detidos, mas a investigação os dividiu em dois grupos. Quatro deles cumpriram 48 horas de prisão e responderão ao processo em liberdade.
Os outros seis passaram por audiência de custódia, que determinou quatro meses de encarceramento enquanto esperam o julgamento. Eles estão no Centro de Diagnóstico e Reabilitação Juvenil de Lima, conhecido como Maranguita. Essa é a pena máxima permitida pela lei peruana.
A família da vítima acusa o colégio militar de tentar encobrir o crime. A repercussão do caso fez com que o governo transferisse a administração da escola para a esfera federal.
A um programa do canal Willax TV, a tia do garoto contou que apesar da gravidade dos ferimentos, ele foi sozinho ao hospital e não teve apoio dos três adultos que estavam dentro do ônibus.
"Meu parente estava no ônibus com esses meninos do time sub-17 da escola. Isso aconteceu na volta da escola, e foi durante a ida que o abuso do meu parente ocorreu. Nem mesmo os adultos fizeram nada a respeito, porque meu sobrinho desceu do ônibus, os meninos foram para um lado e ele, completamente sozinho, foi para o outro", disse a mulher, que preferiu não ser identificada.
Ela também relatou que a primeira reação do menino foi ligar para os pais pedindo ajuda. “Ele ligou para os pais, dizendo que havia se machucado no ônibus e perguntando se eles poderiam buscá-lo. Minha irmã mandou um táxi para levá-lo direto à clínica e o encontrou lá."
Ao programa Cuarto Poder, o adolescente revelou alguns momentos do crime. “Eu ficava dizendo para eles pararem. Depois disso, a maioria deles ficou rindo o caminho todo”, afirmou.
Segundo seu relato, os estudantes o seguraram no fundo do ônibus e o impediram de se mover. “Eles me seguraram pelos braços e pernas, e eu me debatia e implorava para que parassem, mas eles me ignoravam."
O garoto explicou que o ataque começou quando um de seus colegas mencionou um incidente ocorrido dois anos antes.
“Eu estava assistindo a um vídeo no meu celular quando eles disseram: ‘Você se lembra (do incidente anterior)?’ E foi aí que tudo começou”, relatou.
Durante o ataque, o estudante gritou por socorro e tentou se soltar. “Parem, parem, parem!” e “Ei, me soltem”, ele se lembra de ter dito.
A vítima também relatou insultos racistas.
Segundo seu depoimento, alguns dos alunos envolvidos o insultavam há cerca de dois anos. “Seu negão estúpido”, ele se lembra de terem dito.
Em outra ocasião, de acordo com seu testemunho, o chamaram de “macaco”.
A família da vítima pontua que vários dos adolescentes já haviam sido denunciados antes por bullying e discriminação.
O ataque ocorreu após um jogo em que o time do Colégio Naval perdeu por 7 a 2. Antes de chegar à escola, um dos envolvidos teria pedido que ninguém contasse a ninguém o que havia acontecido. “Vamos manter isso em segredo" e “não sejam maldosos”, ele teria dito.








