Luto e superficialidade: filme gay desperdiça história sobre dor

Longa de Dan Levy, na Netflix, tem personagens pouco profundos

Publicado em 27/01/2024
Luke Evans e Dan Levy no filme gay 'Do Outro Lado da Dor', da Netflix
Dan Levy e Luke Evans: relacionamento de 15 anos é destruído por acidente

Por Marcio Claesen

O luto pode ser vivido de várias maneiras e ele é o tema central de Do Outro Lado da Dor, que chegou à Netflix há poucas semanas.

 

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Estreia na direção de Dan Levy - ator conhecido e premiado pela série Schitt's Creek - o filme parte de uma premissa curiosa.

Marc (vivido por Levy) perde o amor de sua vida, Oliver (Luke Evans), em um acidente logo após uma calorosa celebração de natal do casal com inúmeros amigos.

Sophie (Ruth Negga) e Thomas (Himesh Patel) se mudam para sua casa para lhe dar todo o apoio necessário.

Até que meses depois, ainda sofrendo, Marc descobre que o falecido quebrou um acordo no relacionamento aberto que viviam e estava apaixonado por outro homem.

Como lidar com a perda de alguém com quem conviveu por 15 anos e, ao mesmo tempo, com a revelação de uma mentira?

Neste momento, Marc escolhe um caminho pouco crível: ele esconde dos melhores amigos a novidade cruel e vão para Paris curtir um suposto período de descontração, quando, na verdade, ele quer investigar quem era o amante do marido. Ou nem isso.

As personalidades inconstantes dos amigos ganham mais peso na história e irritam. Ambos são imaturos e - sobretudo Sophie - esticam a corda para ver até onde a amizade pode aguentar.

O próprio Marc não ajuda. Ele é pintado com camadas superficiais que remetem a abandono de sua arte após a morte da mãe e um domínio emocional pela parte de Oliver.

Ele precisa construir sua própria trajetória, agora, sozinho. Mas sua presença não parece interessante o suficiente para que se torça por ele.

Ponto positivo: Levy conseguiu criar uma história (ele também é o roteirista) que coloca um gay no centro da narrativa sem precisar lidar com homofobia.

Não é de hoje que o público gay clama por histórias que envolvam homossexuais, mas que permeiem outros assuntos além do preconceito. O sucesso do recente Saltburn, de Emerald Fennell, é exemplo disso.

No fim das contas, Do Outro Lado da Dor peca por apresentar personagens pouco densos e um tanto enfadonhos e desperdiça oportunidade de investigar as perdas e verdadeiras conexões que se faz durante a vida.

 

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