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Chef de cozinha que não queria contratar gay assumido é condenado

No anúncio da vaga, o profissional disse procurar 'pessoa normal'

Publicado em 02/05/2026
Chef Paolo Cappuccio é condenado por discriminar gays
Chef afirmou que não gosta de gays que 'imponham' seu estilo de vida no trabalho

O chef de cozinha italiano Paolo Cappuccio foi condenado pela Justiça por não querer empregar gays assumidos.

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Foi determinado que ele pague indenização de 6 mil euros (cerca de R$ 35 mil) além de fazer retratação pública em jornal de grande circulação e arcar com as custas do processo.

O anúncio discriminatório chef foi feito em julho de 2025, no qual buscava um chef, três cozinheiros e um confeiteiro para hotel quatro estrelas na cidade de Madonna di Campiglio, nos alpes italianos.

Ele escreveu que não queria, por exemplo, "comunistas/preguiçosos, chefs medíocres e coisas do tipo. Pessoas com problemas com álcool, drogas e orientação sexual. Então, se ainda existir alguma pessoa normal por aí..."

Quando entidades se manifestaram com intenção de processá-lo, Cappuccio tentou se explicar ao Corriere della Sera, mais famoso jornal do país.

"Já tive pessoas que não são heterossexuais que ostentavam seus diferentes estilos de vida a ponto de me incomodar. Surgiam problemas, discussões e insultos no grupo. Então, para evitar conversas desagradáveis, enfatizei que cada um pode ser o que quiser, mas não ostentar isso de forma tão excessiva e deselegante", disse o chef que tem uma suástica tatuada no braço.

"Tenho amigos gays; saímos e viajamos juntos. Mas no trabalho, cada um fica no seu lugar. Se alguém invade a liberdade de outra pessoa, está impondo seu estilo de vida, o que pode ser irritante."

Quase um ano depois, o Tribunal de Trento o condenou por discriminação no ambiente de trabalho.

O portal Gay.it informa que a juíza Giuseppina Passarelli entendeu que a conduta do chef constituiu "uma forma de discriminação indireta e multifatorial".

"Essas declarações eram capazes de dissuadir pessoas de se candidatarem a uma vaga de emprego", escreveu.

A magistrada apontou que o artigo 21 da Constituição italiana ressalta que a liberdade de expressão "não é um direito absoluto", especialmente quando "viola outros princípios constitucionalmente protegidos".

"Isso resulta em uma desconexão com os valores fundamentais da Constituição, na qual o trabalho, incluindo o empreendedorismo, exige respeito aos princípios da igualdade e da solidariedade, que não toleram distinções ou preconceitos de qualquer tipo, vinculando a iniciativa privada ao respeito pela utilidade social."