Em defesa de Israel na parada, Jean Wyllys critica LGBT do Psol

Segmento arco-íris do partido de SP posicionou-se contra bloco israelense no evento paulistano

Publicado em 03/06/2018
jean wyllys israel
Parlamentar já sofreu críticas por ter dado palestra em Israel, país pró-LGBT

O deputado federal Jean Wyllys (Psol-RJ) criticou comunicado divulgado pelo Setorial LGBT do próprio partido em São Paulo que mostrou repúdio à presença de Israel na parada LGBT da cidade, realizada no domingo 3.

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"Qualquer pessoa de bom senso e com senso de humanidade deseja uma paz com voz (para palestinos e israelenses!) no Oriente Médio", escreveu Wyllys no Twitter. "Qualquer pessoa de bom senso sabe que nada disso tem a ver com a participação de israelenses ou palestinos na parada LGBT de SP!"

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E continuou: "Esse boicote contra os turistas israelenses na parada LGBT é um absurdo! E mais absurdo ainda é que isso tenha sido apoiado por pessoas do meu partido, o Psol, o que muito me envergonha."

"Não faz qualquer sentido participar-se de um evento desses para, em vez de reafirmar seu caráter de diversidade, tentar impedir participação de pessoas, sobretudo quando essa tentativa de funda (sic) num equívoco que resvala no antissemitismo."

No comunicado, o Setorial LGBT da legenda disse ser "inadmissível um evento que diz celebrar o amor, a igualdade e a diversidade aceite o apoio e a presença de um estado racista que vem invadindo as terras e massacrando todo um povo há 70 anos, com um bloco próprio chamado 'Tel Aviv Israel".

A 22ª edição da parada de São Paulo foi realizada no domingo 3 e teria a participação de 600 pessoas com camisetas desenhadas por Alexandre Herchcovitch em parceria com o Consulado de Israel em São Paulo para divulgar Tel Aviv. A cidade israelense sedia a única parada LGBT do Oriente Médio e seu evento tem sido destino turístico de gays de várias partes do mundo nos últimos anos.

O Setorial disse repudiar a presença do Estado de Israel por meio de seu consulado na marcha. "Nós LGBT só poderemos ser plenamente livres quando todas as outras pessoas do mundo também forem, e isso inclui o povo palestino e sua luta por sobrevivência e autodeterminação", escreveram.

"Vale ressaltar que essa setorial não se opõe a população israelense ou ao povo judeu de maneira geral, mas apenas a política colonialista praticada pelo Estado de Israel contra os palestinos desde sua criação há 70 anos."

Wyllys já foi criticado pela esquerda brasileira por ter ido a Israel dar palestra. O país é um do que mais respeitam os direitos LGBT no mundo, e o único a fazê-lo no Oriente Médio. 

Um dos defensores da posição do setorial é outro gay também do Psol, no caso, David Miranda, atual vereador carioca que vai abandonar o cargo para se candidatar à mesma vaga que Wyllys: deputado federal também pelo Rio de Janeiro.


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